Vício é uma das coisas mais individuais que podem existir. Cada um no seu quadrado, com uma cerveja na mão, ou um cigarro, um amigo, quem sabe um amor. Isso porque, se pensarmos nos pequenos vícios do dia-a-dia, desde o banho gelado para acordar, até aqueles que o tomam antes de dormir, percebemos aqueles hábitos que melhoram nosso cotidiano.
Por isso, me perdoem a franqueza descarada, mas meu vício é samba. Sou dependente do ritmo mais inexplicável do mundo, a boa batucada, que tem a capacidade de fazer rir ou chorar em questão de minutos. Me traz raízes da infância e boas lembranças. Todos os dias um pouco (às vezes muito, quando a cabeça não para), em boa doses homeopáticas.
Chico e Jorge Ben são assíduos freqüentadores do meu aparelho de som. E por lá passam diversos sambas transcendentais. Ao escutar MPB4, por exemplo, você é levado aos morros do Rio, num tempo em que havia menos crime e mais melodia de Cartola no ar.
O MPB4 tem sua raíz em 1962, com o trio Rui, Aquiles e Miltinho. Eles começaram a se apresentar do Centro Popular de Cultura da UNE, o antigo CPC, que foi muito mal substituído pelo CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE. O que unia os meninos era uma consciência política que superava a repressão dos Anos de Chumbo.
Fruto disso é De Frente pro Crime. A cena que a música descreve em suas estrofes representa a violência silenciosa dos morros cariocas. Afinal, ta lá o corpo estendido no chão, e em vez de rosto uma foto de um gol, em vez de reza uma praga de alguém, e um silêncio servindo de amém. Reflexo da repressão, a letra da música mostra o que ninguém mostra, e todos, como numa esquizofrenia generalizada, aceitam.

Eram muitos estudantes – centenas! Em uma das maiores manifestações que a UFMT viu nos últimos anos, eles só queria uma coisa: ser ouvidos. Nem que precisassem gritar palavras de ordem até não agüentar mais, nem que ficassem roucos, gritariam. E cantavam também, porque o poeta já disse uma vez: “cantamos, porque o grito só não basta.” Cantavam pela democracia e pelo diálogo, pela discussão e pelo debate. Isso mesmo, o debate, o conflito de idéias, as opiniões diversas. E gritaram muito, exercendo o supremo direito do cidadão de se mostrar descontente com as ações daqueles que nos representam. 
Faleceu no último dia 2 de maio o dramaturgo e criador do
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