o (re)começo.

fevereiro 4, 2010

Antes escrever qualquer coisa, peço mil perdões. Aos meus amigos, àqueles viajantes perdidos no incrível mundo da internet que, porventura, acabavam caindo aqui. Enfim, meus leitores, esporádicos ou fiéis.

Eu sempre acreditei que manter um blog é uma questão de fidelidade com as pessoas que param um tempo – segundos que sejam – para ler as baboseiras que somos capazes de escrever nesse espaço tão democrático. E eu os traí.

Olhando nos arquivos percebi que esta é a terceira vez que tento retomar essa minha trajetória. Não consegui mesmo. Ou talvez não estivesse na hora. Muitos fatores (que eu só posso enxergar claramente agora, admito) me fizeram broxar com a escrita. Estava sem inspiração mesmo – vide esse desabafo aqui - e penei um tanto aí.

Redimo-me agora dizendo que eu voltei. Não com a freqüência de antes, porque a vida apertou e o tempo encurtou. Então nada de postagens diárias ou coisa parecida. Paciência comigo, por favor. Com a devida tolerância, acho que consigo voltar à forma de antes.

Esperem meus devaneios qualquer dia por aqui, e depois em outro blog. Este é um “projeto ambicioso” que surgiu nas férias, num daqueles estalos que só a criatividade do ócio pode trazer. Mas eu falo mais em outro post, quando a caminhada estiver mais à frente.

meu vício é samba

agosto 28, 2009

Vício é uma das coisas mais individuais que podem existir. Cada um no seu quadrado, com uma cerveja na mão, ou um cigarro, um amigo, quem sabe um amor. Isso porque, se pensarmos nos pequenos vícios do dia-a-dia, desde o banho gelado para acordar, até aqueles que o tomam antes de dormir, percebemos aqueles hábitos que melhoram nosso cotidiano.

Por isso, me perdoem a franqueza descarada, mas meu vício é samba. Sou dependente do ritmo mais inexplicável do mundo, a boa batucada, que tem a capacidade de fazer rir ou chorar em questão de minutos. Me traz raízes da infância e boas lembranças. Todos os dias um pouco (às vezes muito, quando a cabeça não para), em boa doses homeopáticas.

Chico e Jorge Ben são assíduos freqüentadores do meu aparelho de som. E por lá passam diversos sambas transcendentais. Ao escutar MPB4, por exemplo, você é levado aos morros do Rio, num tempo em que havia menos crime e mais melodia de Cartola no ar.

O MPB4 tem sua raíz em 1962, com o trio Rui, Aquiles e Miltinho. Eles começaram a se apresentar do Centro Popular de Cultura da UNE, o antigo CPC, que foi muito mal substituído pelo CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE. O que unia os meninos era uma consciência política que superava a repressão dos Anos de Chumbo.

Fruto disso é De Frente pro Crime. A cena que a música descreve em suas estrofes representa a violência silenciosa dos morros cariocas. Afinal, ta lá o corpo estendido no chão, e em vez de rosto uma foto de um gol, em vez de reza uma praga de alguém, e um silêncio servindo de amém. Reflexo da repressão, a letra da música mostra o que ninguém mostra, e todos, como numa esquizofrenia generalizada, aceitam.

Frost poderia ser classificado como mais um filme que trata do caso Watergate, mas algumas características peculiares tratam de destacá-lo do grupo. Competindo com todos os clássicos já conhecidos, o longa traz sim um Nixon com uma imagem de derrota, angústia e, acima de tudo, dor pela renúncia ao cargo de presidente. Também há jornalistas cumprindo uma das mais belas funções do jornalismo, que Mino Carta considera um dos três mandamentos da profissão: a fiscalização do poder público. Mas Frost traz elementos especiais, um pouco além desses.

A grande batalha entre o “show-man” britânico Frost e o ex-presidente dos Estados Unidos é muito mais intelectual, talvez até uma batalha de egos. Cada um buscava retirar o maior proveito possível daquela série de entrevistas que Nixon aceitou conceder após três anos em silêncio. A confissão para um e a redenção para outro, situações que viriam a ser alardeadas, cada uma com um propósito. E nesta guerra, quem tivesse a melhor retórica, o pensamento mais rápido, o melhor jogo de cintura, ganhava.

O fim da história todos sabem. Terminamos com um Nixon humilhado e o pote de ouro de Frost cheio até a tampa, graças àquela que ficou sendo a melhor entrevista de sua vida. E graças a esse fato histórico, podemos prestar mais atenção à nossa profissão e entender um pouco do que é, na verdade, o papel do jornalista em jogos de poder. A incessante busca da verdade de que tanto se fala deve antes passar por um filtro. Devemos antes pensar a quem serve esta verdade. Filosofando mais ainda, o que é a verdade no jornalismo?

Pelo meu crivo filosófico (que de especializado não tem nada) as entrevistas Frost/Nixon são sim exemplos em que o jornalismo busca a verdade e serve ao seu maior senhor: os telespectadores. O grande serviço público que o apresentador – ironicamente britânico – prestou à sociedade foi de expor e escancarar o poder, que jamais deve se esconder. Ele tirou os panos que cobriam a máscara do ex-presidente e, como se diz nas aulas de história sobre o Brasil, “descobriu” a verdadeira face daquele que desestabilizou um Estado inteiro.

O vídeos da entrevista estão no YouTube, e o trailer, abaixo:

 

É sempre bom nos deparamos, nas nossas andanças virtuais, com boas reportagens. Exemplos de bom jornalismo nos fazem acreditar na profissão e são fontes de inspiração para buscarmos, nem que seja em um exercício da faculdade, uma pauta investigativa que traga um novo universo aos leitores. Acabei de encontrar um exemplo desses no boletim Carta Maior que recebo no e-mail (assinem estas listas, são boas).  Essa reportagem, acompanhada por um imenso e angustiante acervo fotográfico do local, é uma aula de investigação, apuração e fuga do senso comum no jornalismo. Isso porque os grandes personagens entrevistados são exatamente aqueles que convivem com esse ponto de tráfico no dia-a-dia: os vizinho da Cracolândia.

Enfim, leiam a reportagem completa, pelamordedeus.

Bem, tenho andado ausente daqui, não nego e não sei se volto tão cedo. Nos últimos tempos passei pela clássica crise pela qual qualquer estudante de jornalismo (que se preze) passa. Quanto mais vejo os podres da profissão, mais meu tesão por ela esmorece. Perdi até minha insuportável vontade de escrever sobre tudo, todos e qualquer coisa que se mova. Mas como o jornalismo já está em minhas entranhas – talvez mais do que eu gostaria – não abro mão dele, jamais. Então eu entrei em um processo de procura, reflexão e leitura. Toda a questão informação x opinião anda mexendo comigo, e eu com ela, mais ainda. Por isso me perdoem pelo sumiço, mas não esperem muito de mim neste atribulado fim de semestre. O que é péssimo, porque há milhares de coisa acontecendo que merecem ser comentadas, divugadas e alardeadas ao máximo. Mas não por mim. Há pessoas que podem se ocupar desse papel enquanto passo pela greve de inspiração, com destaque para a Lu, no Blog do DCE, e para as demais meninas no Casos do Caos. Acompanhem-nas, por favor!

Mas como nem tudo está perdido, deixo aqui um comentário do grande jornalista Mino Carta, fundador de uma porrada de veículos de comunicação maravilhosos, sobre o jornalismo. Encontrei em uma entrevista na internet (GoogleDeus, né). A entrevista inteira está aqui. Procurem saber mais sobre o cara, que ele é demais.

Tenho três mandamentos, além da crença de que é fundamental respeitar o texto e não aviltar a língua. Os três mandamentos para um jornalista são os seguintes: primeiro, a fidelidade canina à verdade factual. Segundo: o exercício desabrido do espírito crítico – sempre. Terceiro: fiscalizar diuturnamente o Poder,onde quer que se manifeste – não somente no Palácio do Planalto ou no Congresso. (Mino Carta)

Cachorro-Urubu!

maio 30, 2009

  1. Saia de uma mega manifestação para pegar o avião. Arrume a mala 5 minutos antes de sair de casa e quase perca o avião. E não adianta reclamar, é seu dever.
  2. Seu avião não pode pousar em Campo Grande, que é seu destino, por causa da metereologia. E você, sem saber como, vai parar em Brasília.
  3. Encontre 3 malucos (Mel, Jero e Will), estudantes de jornalismo da UnB, no aeroporto de Brasília. Pense que sua sorte está mudando e embarque em outro vôo para Campo Grande.
  4. Seu avião ainda não pode pousar e você vai voltar à Brasília. O piloto vai pedir sincerar desculpas, mas fique puto mesmo assim. É inevitável.
  5. Acompanhe outros passageiros indignados de volta ao aeroporto. Vá comer.
  6. Descubra que, depois que você já gastou horrores com a precária refeição que você consegue encontrar em um aeroporto vazio às 3 da manhã, a companhia ia pagar seu lanche. Fique puto, de novo.
  7. Durma sentado na cadeira da praça de alimentação.
  8. Durma no chão da sala de embarque.
  9. Embarque às 9 da manhã (já são 15 horas entre aviões e aeroportos) e chegue à Campo Grande.
  10. Pegue um táxi e atravesse a cidade para chegar à BR. Almoce em um posto de beira de estrada e espere a delegação de Brasília que vai passar por ali. Pense, de novo, que sua sorte está mudando.
  11. Ganhe uma linda bandeira da ENECOS.
  12. Chegue no local do encontro e arme sua barraca. Almoce de novo.
  13. Participe das atividades do encontro.
  14. Vista 3 casacos e saia carregando um edredon que não é seu. A temperatura é de 6 graus. É neste momento que todos descobrem que você é de Cuiabá.
  15. Não consiga dormir por causa do frio insuportável na barraca.
  16. Perca a viagem ao Paraguay porque não conseguiu dormir à noite e fique dormindo a manhã toda.
  17. Acorde, vá tomar banho. Converse um pouco. Estão fazendo churrasco.
  18. Vá dar uma deitanha rápida.
  19. Perca o churrasco porque dormiu demais e fique com fome.
  20. Participe de mais atividades do encontro. Aprenda o máximo que puder.
  21. Faça amigos.
  22. Passe a noite bebendo tequila na roda de violão em volta da fogueira. A temperatura é de 8 graus.
  23. Durma. Acorde. Participe de mais atividades do encontro. Faça mais amigos.
  24. Se despeça das pessoas. Pegue carona com a delegação de Campo Grande até a UFMS.
  25. Peça carona descaradamente até a casa da sua tia.
  26. Aperte e abrace suas priminhas com muita força. Durma.
  27. Acorde. Tome Banho. Arrume as malas e vá para o aeroporto.
  28. Entre na fila de check-in da Gol, mas o seu avião é TAM. Passe vergonha.
  29. Chegue em casa. Não desarrume as malas.
  30. Fique com vontade de fazer tudo de novo.

O Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Social (ERECOM) 2009 foi assim. Que venha o 2010! Boa sorte Coletivo Bsb. :)

Faz um tempo que eu não escrevo sobre o tesão aqui né? E na verdade, nem vim falar muita coisa não. Só pra mostrar um link do Jornal Tesão, prazer e anarkia que eu, nas minhas andanças virtuais tive o prazer de encontrar.

Na década de 90 o Tesão foi mantido financeiramente pela SOMA, na transição da SOMAIÊ o Jornal retornou a ativa e com uma maior participação de anunciantes nos custos da produção. Mas ainda não conseguimos manter o Jornal sem os editores terem de sustentar financeiramente o Tesão.
Agora entramos numa NOVA ETAPA, pois UMA PARTE da TIRAGEM do JORNAL TESÃO vai ter um preço: ajudar a bancar, com os anunciantes e colaboradores, a edição integral. Dessa forma, OUTRA PARTE da TIRAGEM pode ser DISTRIBUÍDA GRATUITAMENTE, como sempre o foi. E o jornal se torna mais estável, pois independe dos editores e sim dos distribuidores. Enquanto esses gostarem da linha editorial, poderão manter a distribuição desse viés libertário, na forma de material impresso e divulgando uma visão libertária agregada a Biologia do Conhecer como forma de entender e dialogar com a realidade. Gerando o que chamamos de anarquismo entre parênteses.

Deliciem-se, meus tesudos! O link? É esse aqui.

Olha, eu amo a profissão que escolhi, mas me perdoem meu professores: uma grande porcentagem do que é ensinado na faculdade é balela. Sim, porque essa história de “ouvir os dois lados” e “imparcialidade” é uma coisa que inventaram para neurotizar pobres estudantes sem preparo e dignidade nenhuma.

Hoje, por exemplo. Ato bonito, boa repercussão e tudo mais. Podemos dar, através das matérias publicadas sobre o assunto, uma aula de bom jornalismo em duas lições. Bora lá?

Jornalismo canalha:

Estudantes invadem reitoria e impedem decisão sobre vestibular unificado na UFMT

Manifestação promovida pelos estudantes impediu posicionamento da universidade diante do novo vestibular.

Redação do site TVCA

Uma manifestação encabeçada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) impediu a realização da reunião que decidiria o posicionamento da universidade em relação ao vestibular unificado, marcada para esta tarde, no campus da instituição em Cuiabá.

Com muito barulho, os estudantes invadiram o prédio da reitoria, onde estavam reunidos os membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da UFMT, formado por 49 representantes e a reunião acabou suspensa.

Em nota oficial divulgada à imprensa, a UFMT informou que a suspensão da reunião teve apoio consensual dos conselheiros diante da impossibilidade dos trabalhos com a ocupação da sala de reuniões dos órgãos colegiados por estudantes, que recusaram a proposta de formar uma comissão para participar da discussão.

Mais aqui.

 

Jornalismo decente:

Estudantes ocupam reitoria da UFMT contra vestibular unificado
Redação 24HorasNews

     Cerca de 2 mil estudantes, universitários e secundaristas, ocuparam nesta segunda-feira a tarde a reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em protesto contra a adesão imediata ao novo modelo de vestibular unificado. O movimento estudantil impediu, com o protesto, a segunda reunião deliberativa do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) de pauta única. A UFMT tem até a próxima sexta-feira, dia 15, para dar uma posição ao Ministério da Educação (Mec). A reitora afirmou que vai convocar nova reunião do Consepe.
     
     Os estudantes afirmam que vão acompanhar e alegam que, após um grande debate sobre o assunto realizado no último dia 5, no Teatro da UFMT, articulado pela Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), ficou claro que a comunidade acadêmica ainda tem dúvidas sobre o que será melhor para a sociedade mato-grossense, precisa debater mais e que qualquer posição tomada agora pela instituição será vertical e não contemplará o povo.
     
     Com megafone e faixas, lideranças estudantis cobraram do Conselho, o qual a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder preside, democracia real e não a representativa que ignora a voz das bases.
Mais aqui.

 

Simples não? A TVCA, como sempre, mostrando que ainda é a pioneira em criminalizar qualquer tipo de movimento estudantil, social, e qualquer tipo de manifestação pacífica. Em uma sala com 80 estudantes, 20 conselheiros e a reitora, quem eles entrevistam? A reitora, claro. Manda mais né. Já o 24horas News se saiu bem. Eles nunca nos abandonam. Ótimo exemplo, colegas! 

OgAAAFdI3RnEktTSGM4FcstVUV7vcOjnH0_e4GjnJHFwWPvhUS8c20gv_nHAWnQS74LX3SQMm8WxZJfYIDLTvsrecQEAm1T1UG5fKsgRHI0BOY6Dxlx0hkQkwAyHEram muitos estudantes – centenas! Em uma das maiores manifestações que a UFMT viu nos últimos anos, eles só queria uma coisa: ser ouvidos. Nem que precisassem gritar palavras de ordem até não agüentar mais, nem que ficassem roucos, gritariam. E cantavam também, porque o poeta já disse uma vez: “cantamos, porque o grito só não basta.” Cantavam pela democracia e pelo diálogo, pela discussão e pelo debate. Isso mesmo, o debate, o conflito de idéias, as opiniões diversas. E gritaram muito, exercendo o supremo direito do cidadão de se mostrar descontente com as ações daqueles que nos representam.  

Um bafo quente tomava conta da sala de reuniões da reitoria. Afinal, aquilo estava mais lotado do que transporte coletivo às seis da tarde. Mas nada do que acontecesse faria aqueles estudantes esmorecerem, nem mesmo aquele forno a vapor. E a Excelentíssima senhora se sentava na cadeira com o maior encosto, porque é preciso mostrar autoridade nestes momentos. E escutou em silêncio a maioria do tempo, às vezes até virava de lado e fofocava alguma coisa com a moça à sua direita, às vezes fazia careta como quem diz: esses jovens não sabem de nada!

Errado, sabemos e muito. Sabemos discernir entre o bom e o mal, entre o bem feito e o mal feito, entre as políticas que melhoram e as que pioram a educação. Mas essa nem era a questão! Queríamos somente ser ouvidos. E nada de reuniões a portas fechadas, como quem tem medo da multidão e do grito não abafado. Nossa reivindicação pura e simples era que se convocasse um fórum deliberativo onde poderíamos realmente fazer valer a nossa vontade, sem a falsa democracia dos conselhos superiores.

Sim, porque nestes conselhos temos a mísera representação de três ou quatro estudantes, responsáveis, coitados, por ir contra as dezenas de representantes da reitoria. Era por isso que lutávamos naquela tarde quente em que os uniformes dos mais diversos colégios ficaram molhados de suor. Master, Liceu Cuiabano, São Gonçalo… Estudantes de toda a Cuiabá foram até a UFMT para pedir que nos esclarecessem as dúvidas e nos garantissem que nada fosse feito em nosso nome sem a nossa permissão.

Querem mudar a vida desses estudantes sem escutá-los! Isso é absurdo, mas existe e vivemos isso diariamente nos corredores da nossa universidade. E conseguimos impedi-los, graças àqueles estudantes que querem somente uma chance para provar que são capazes e podem passar pela cruel peneira do vestibular. Querem estudar em uma universidade federal, com bons laboratórios e boas salas de aula, com bons professores e bons livros. Um direito garantido pela nossa tão desrespeitada Constituição.

Mas mesmo com o calor, a sede, a fome, a rouquidão e o cansaço, eu digo que valeu a pena. Valeu pela energia que sentimos naquele momento em que centenas eram um, e um era centenas. Valeu pela renovação no ânimo, pelo batuque dos tambores do maracatu, pelas rimas de última hora que levantavam a galera. Mas de verdade, o que valeu mesmo, na real, foi o sentimento de que ainda há esperança e que ainda há, entre nós, pessoas com a capacidade de se indignar.

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